Livro “de” criança.

Posted on 07/03/2012 por

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Não sei os jovens de hoje, mas na minha infância todos conheciam o famoso livro “O Pequeno Príncipe”. Eu não era diferente, óbvio. Eu também conhecia o citado livro. No entanto, conhecer para muitos jovens significava “saber da existência do mesmo” e não, necessariamente, significava “ter lido”. Bem, este era meu caso: sabia da existência com toda propriedade que me era dada ao ter visto na biblioteca municipal a capa do livro,ou seja, se tratava da história de um garoto de cabelos loiros, que ficava em pé em um pequeno planeta. “Óbvio, é uma historinha de criança”, pensava eu com meus botões. Mas ler? Ao menos folhear algumas páginas? Nunca passou pelos meus pensamentos.

O tempo não parou, a vida seguiu. Deixei a escola primária. Me formei no ginásio. Entrei na primeira faculdade, me formei. Entrei na segunda faculdade, me formei. Entrei na terceira faculdade, me formei. Depois de tudo isso, ler O Pequeno Príncipe? Nem pensar. Agora minhas leituras eram das obras de Fernando Pessoa, Castro Alves, Érico Veríssimo, Ernest Hemingway, Eric Hobsbawm, além dos autores “didáticos” essenciais para a formação de um Pedagogo e docente de História, ou seja, eu era um adulto e não iria mais ler obras infantis. O pré-conceito seguiu até quando fui fazer pós-graduação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e foi sugerida a leitura do livro para um trabalho[i]. “Não, não pode ser. A professora deve ter se enganado. O livro deve ser “O Príncipe” de Maquiavel”, não somente eu, mas vários colegas de turma também pensaram isso. Resultado: tive que ler o livro de Saint-Exupéry.

Para minha enorme surpresa “a historinha de criança” é uma obra sim de fácil leitura, mas recheada de metáforas, simbolismos e de personagens que vivem situações, conflitos e diálogos que nos fazem refletir sobre os valores da vida. O pequeno garoto de cabelos dourados após a queda de seu avião no deserto, passeia por vários outros planetas e se confronta com diversas personagens (a raposa, a rosa, o carneiro, o elefante, o vaidoso, o acendedor de lampiões, etc.) que possuem distintas características e sentimentos presentes em qualquer ser humano, tais como a solidariedade, a solidão, a ganância, o egoísmo e o amor.

À medida que a narrativa simples e de fácil entendimento segue, o leitor “discute” consigo próprio e recria a sua própria visão de mundo, pois, ao mesmo tempo em que retoma os sonhos de criança, repensa valores da sua vida adulta.  Talvez apenas “conhecer” a obra “O Pequeno Príncipe” durante minha infância tenha sido algo bom, pois, definitivamente, ele não é um livro “de” criança.

Max Douglas do Amorim

Escrito e ilustrado pelo francês Antonie de Sanit-Exupéry, O Pequeno Príncipe (publicado em 1943, nos Estados Unidos) é o terceiro livro mais vendido do mundo. Possui cerca de 134 milhões de livros vendidos em todo mundo, 8 Milhões só no Brasil e foi traduzido em mais de 220 línguas e dialetos.

Quer ler a obra em PDF? Acesse: http://educulturacorb.hd1.com.br/downloads/o_peq.principe.pdf


[i]  Atividade solicitada pela Profª Ministrante Mariana Sales no Módulo: Cidadania e Trabalho do curso de Especialização Pós-Graduação “Lato Sensu”, na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias: Cidadania e Cultura.