Durante toda minha vida

Posted on 19/10/2011 por

4


Durante toda minha vida

 Em 1998, acaba meu ciclo na escola Mosaico, era o fim da pré – escola estava indo para uma escola que dava a volta no quarteirão, meu Deus era tão incrível, toda vez que passava em frente do local, mostrava para todo mundo com o maior orgulho, essa é a escola que eu vou estudar o ano que vem Profª Anésia Loureiro Gama.

Chegou o ano, 1999 fevereiro, ansiedade tomava conta, após o almoço estava lá na frente do portão, 1º dia de aula, centenas de mães e crianças. Nessa situação algumas dúvidas começam a aparecer, a tia Adriana vai estar lá dentro? E os meus amigos? Marcos, Julia, Gabi? A partir daí começou a vim aquele frio na barriga. Chegado o momento o portão abre e ali começa a minha trajetória na Escola da minha vida, o lugar onde vou crescer, alunos mais velhos saem correndo e entram em suas filas, e eu perdido, vou perguntar para uma moça onde tenho que ir, e ela pessoa ilustre na escola a “tia Tercilha” me mostra o meu lugar e por acaso era a mesma fila da Gabi (Gabriela Zanella). E assim começa o meu ciclo.

Nesse primeiro ano de escola conheço crianças que levo até hoje comigo, João Paulo, Lucas Galvão, Henrique, Danilo, entre outros. Amigos que marcaram também a época como Juliana, Jéssica, Fábio, Patrícia, Rafael, Ed Robert, … O tempo foi passando 1ª série, 2ª série, 3ª série, 4ª série e com isso muitas pessoas foram passando, personagens importantes e marcantes como as professoras Dalva, Lucinda, Benedita e momentos como os passeios para a chácara do sol, planetário, os ensaios para datas comemorativas, dia das mães e dos pais, nas sextas-feiras encontrar a tia Tercilha e pedir para segurar a bandeira na hora do hino nacional, treinar o hino da independência, de São Bernardo e o da bandeira, e o concurso de Rei e Rainha da primavera então? Consegui ficar em 3º lugar em um ano, e acontecia um desfile para os 3 primeiros, era montado uma palco e no momento em que chamaram o Rei Lucas e Rainha Dafner na hora de subir eu tropecei no palco e cai na frente de todos, que vergonha.

A escola tinha apenas o ensino fundamental I como é conhecido hoje, o fundamental II e Médio eram em outras escolas, mas na minha passagem da 3 ª para 4ª série, a escola estava passando por um momento de transição e abriu para a turma da 4ª série a 5ª série e eles dariam continuidade até a 8ª, tornando assim a escola uma escola de Ensino Fundamental I e II. Assim continuei dando sequência na minha história dentro do Anésia.

Muitas mudanças, vários professores, que agora entravam na sala de 50 em 50 minutos, o recreio virou intervalo e seu tempo foi reduzido, agora a tia é professora, velhos hábitos iam se desfazendo e então resolve mudar tudo terminei a 5ª série. Sai da turma da tarde e fui para turma da manhã, onde reencontrei o pessoal do futebol e conquistei mais amizades. A partir do momento que fui para o fundamental II os passeios e brincadeiras mudaram, os passeios eram para o playcenter e todo final de ano o esperado Hopi Hari, onde tenho muitas histórias pra contar, como hora do horror com Gabriel Abrantes, como recuperar um boné roubado com João Paulo, como desistir da montanha-russa sendo o próximo da fila com Henrique Lima, etc.

Na 7ª série, meus amigos da tarde vieram todos para manhã, achei demais, a escola passou a ser fundamental I a tarde e II de manhã. Nós na 7ª e junto com a galera da 8ª que nos conhecíamos do bairro, juntos no intervalo, era uma bagunça só, “dia de bater em preto”, “guerra de maçã”, “futebol americano”. Acabou esse ano e eles foram embora, dando para nós o posto de os mais velhos da escola, e eu me via ansioso de levantar de manhã para não perder nenhum momento, pois foi um ano inesquecível, o ano da 8ª A: Inesquecível. O ano que voltou os interclasses, “Escolares” o nosso “último ano na Escola Anésia”.

Essa história de inesquecível foi uma brincadeira da minha turma e as outras salas acabaram  não gostando muito da idéia e por birra foi virando coisa séria, criamos nosso uniforme para jogar os interclasses e nele levava o nome 8ªA: Inesquecível. Praticamente todas as tardes tirávamos “contra”, que nada mais era que um jogo de futebol contra outra sala. Era levado muito a sério, mas aquele ano estávamos voando, não perdemos uma e foi assim até a final. Fomos campeões. Ano que também fomos campeões nos jogos escolares com a categoria “B” no Futsal, infelizmente não participava do time pois era da categoria “C” e nesse ano não fomos bem. Outro troféu nos escolares foi no Skate com Mateus Marin que trouxe ouro e um vice-campeonato com as meninas do handebol. E falar dos escolares tem que ser mencionado o lendário “cuecão no Zé”, sendo o Zé o nosso diretor naquele momento, foi show. No fundamental II também tivemos bons professores, Jane, Max, Rita, Léo, Cris Elis e figuras como Rute, Ciro, Wanderley que adorávamos perturbar.

E assim nossa trajetória no Anésia estava chegando ao seu desfecho, final de ano e aquele clima de estar acabando, formatura marcada, todos já pensando se iriam para o “20 de agosto” ou “Amadeu” que são escolas próximas ou quem sabe passar na ETE, mas havia rumores de começar no ano seguinte o ensino médio no Anésia. E então, o Anésia passa por mais um período de transição, assim nos tornamos a primeira turma de ensino médio do Anésia.

Começam 3 anos mais rápidos da minha vida mas com certeza os mais intensos até aqui, como nos conhecíamos a tempo já éramos uma família, as irmãs gêmeas Nathane e Natasha por exemplo me conheciam desde os 3 anos de idade.

Primeiro ano passou rápido. Tivemos uma grande perda pois Deus chamou nosso amigo Eduardo Henrique Valério o Du, para ajudar ele lá em cima. Teve um interclasse esse ano também, a cena parecia se repetir, durante o ano ganhamos todos os contras, mas a vontade da outra sala era grande, e na final perdemos, era uma das únicas derrotas daquele time.

O segundo ano foi demais, as turmas no Anésia sempre foram mantidas, eram os mesmos alunos juntos nas classes todos os anos, mas nesse ano fizeram diferente, mesclaram as turmas, ai a bagunça tava feita, professora Marina e Josefa a “Jojo” deve lembrar bem dessa sala.

No terceiro ano tentaram separar os meninos. Na minha sala ficaram apenas 9 meninos para 23 meninas, mas era o suficiente, último ano ninguém agüentava mais, era o ano da formatura, o ano de Porto Seguro, logo na primeira semana, o Davi já tinha arrancado a grade da porta onde dava em um quintalzinho ao lado da sala, eu já tinha ido 3 vezes pra diretoria, o Pedro, Harris (Lucas), Bruno e Hugo não paravam dentro da sala, o Gabriel e o Careca (Henrique) que eram alunos exemplares, não queriam saber de mais nada, o Sérgio não estava lá sempre, mais quando aparecia ficava dormindo, e o pensamento de deixar a sala com meninas também não deu muito certo pois entre as meninas estava a Sara, que  também fazia uma arte e a linda e saudosa Claudinha que quando não queria ter aula, fazia com que ninguém mais tivesse. Chegando o final do ano e em outubro chega a nossa viagem para Porto Seguro – Bahia. Uma viagem sensacional, a melhor da nossa vida com certeza, não vou entrar em detalhes porque o que aconteceu em Porto, ficou em Porto. Após a viagem tínhamos que terminar o 4º Bimestre, e eu me via com as notas de física em ordem decrescente entre o 1º, 2º e 3º Bimestre 4, 3, e 2 era a única matéria que estava realmente mau, fechei o 4º bimestre com 5, e com certeza com a ajuda de alguns professores fui aprovado e infelizmente o ano tinha chegado ao fim, e com ele o fim da minha história dentro do Anésia, não tinha como continuar.

Durante toda minha vida nunca fui afetado de maneira tão profunda e positiva, não foi só a forma como amadureci, mas também o tempo com amigos, pessoas especiais, que me ajudaram a ver ensinamentos por detrás da teoria. Na Escola você vai descobrir que suas histórias são as histórias de todos e as histórias de todos são as suas histórias.  Agradeço pela turma que tive e que ainda hoje temos contato, claro que não é com a mesma freqüência, mais sempre com a mesma intensidade.

Gostaria de escrever aqui o nome de todos que tiveram uma história comigo dentro da escola, mas fico com receio de esquecer alguém, então a todos Obrigado.

 

Lucas Souza, 19 anos, estudante de Ciências Biológicas no Centro Universitário Fundação Santo André e estagiário no laboratório de ciências do colégio Jean Piaget. Foi aluno na Escola Estadual Profª Anésia Loureiro Gama de 1999 (1º ano) até 2009 (3ª série). Fez parte da 1ª turma de Formandos do Ensino Médio.