Independência ou Morte

Posted on 07/09/2009 por

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” Às quatro horas da tarde do dia 07 , quando se encontrava na colina do Ipiranga, chegou a toda pressa o correio da corte, Paulo Bregaro, que lhe vinha trazer documentos e mensagens urgentes de Jose Bonifácio…Novas resoluções das cortes com relação ao Brasil tinham chegado ao Rio de Janeiro no dia 28 de agosto, anulando todas as medidas implementadas pelo gabinete de José Bonifácio… D. Pedro recebeu estes documentos às margens do Riacho Ipiranga… D. Pedro, tomado de fúria, amarrotou-os e pisou-os. Segundo o que conta o padre Belchior – um dos membros da comitiva que o acompanhava – , o príncipe estava afetado “por uma disenteria  que o obrigava a todo momento a apear-se para prover”. Depois “abotoando-se e compondo a fardeta”, ele se reuniu com sua guarda e declarou: “Amigos, as Cortes Portuguesas querem escravizar-nos e perseguem-nos. De hoje em diante nossas relações estão quebradas. Nenhum laço nos une mais”. Arrancou do chapéu o laço azul e branco, símbolo da nação portuguesa, dizendo: “Laços fora soldados. Viva a independência, a liberdade e a separação do Brasil!”. Em seguida, desembainhou a espada, no que foi acompanhado pelos militares, e jurou: “Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil”. Na mesma ocasião, segundo o padre Belchior, de pé nos estribos ele teria afirmado que a divisa do Brasil seria “Independência ou Morte!”.

LUSTOSA, Isabel. “Perfis Brasileiros – D. Pedro I”. Companhia das Letras

 

Grito do Ipiranga - Pedro Américo (1888)

Grito do Ipiranga - Pedro Américo (1888)

O quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, também conhecido como Grito do Ipiranga, é o principal símbolo da proclamação da Independência do Brasil, que é comemorada em 7 de setembro. A imagem, no entanto, não é exatamente uma fotografia do momento em que D. Pedro I recebeu a carta que o deixou irado e o levou a pronunciar a famosa frase: “Independência ou Morte”. Enquanto a independência do Brasil foi proclamada em 1822, Pedro Américo só foi terminar de pintar o quadro em 1888, em Florença, na Itália. A obra foi encomendada pela Família Real, que investia na construção do Museu do Ipiranga, hoje oficialmente chamado Museu Paulista, que fica em São Paulo (SP). A idéia era ressaltar a monarquia – que já estava cambaleando e caiu em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República.

Fonte: www.oglobo.globo.com