Limites: Cultivar ou Sufocar?

Posted on 02/03/2009 por

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Para se cultivar um vegetal qualquer, há a necessidade de um terreno adequado: um solo fértil, água, luz, calor, oxigênio, etc. Porém, para matar esse vegetal qualquer, basta que um desses itens (luz, calor, oxigênio…) não tenha uma dosagem correta. Cultivar um vegetal é como criar um ser humano: não tão complexo quanto, mas exige praticamente a mesma dosagem de cuidados.
Para que um vegetal cresça forte e resistente, é necessário, além dos cuidados, que ele tenha seu espaço, é necessário que ele tenha espaço para mostrar que merece cuidados dali pra frente, é necessário que as ervas daninhas não o afetem, não o ataquem, para que ele cresça conforme o desejado. Então, criamos limites que, dali pra frente, irão proteger tanto o vegetal frágil do mundo externo, quanto quem o cultiva, de problemas.
Então, mais para frente, o tempo passa, e o vegetal cresce. Magnífico! Parte do dever está cumprido. Mas agora há um problema: ele cresceu. O vegetal cresceu e necessita de um limite maior para se desenvolver. Precisa de mais cuidados, pois agora ele é forte o bastante para quebrar os limites impostos por quem o cultivou. Ok! Então dêem os limites a ele. Ampliem os limites. Ele cresce mais, e o teto da estufa também tem que crescer, para que ele não saia da estufa e seja afetado pelo mundo externo.
Perfeito! O limite cresceu! O vegetal também! Só que há mais um problema… o vegetal cresceu para baixo também. As raízes também crescem. E é aí que reside o maior dos problemas. Ele causará incômodo a quem o criou, pois ele terá de ser removido, com muito cuidado, para um lugar maior, onde irá ampliar sua rede, e ter contato, involuntariamente com o desconhecido.
Então o vegetal é levado para uma estufa maior e é plantado de novo. Ótimo! Ótimo? Não, o vegetal foi atacado por uma erva daninha e morreu. Tanto tempo de esforço e cuidado… para nada… Essa é a vida. O mundo não é fácil. Mesmo vivendo dentro de uma estufa.

Ligações: O vegetal, é a criança, que quando pequena não conhece nada, somente o que os pais lhe mostram. O solo fértil, a luz e etc., são os cuidados que os pais devem ter com seus filhos. A estufa é o mundo imposto pelos pais e pela sociedade, que muitas vezes, é o próprio lar. Os cuidados, não são cuidados básicos como dar banho, alimentar e escovar os dentes. São cuidados para que a criança não cresça de uma maneira que não os agrada. As raízes do vegetal representam as opiniões da criança, o que ela gosta, o que os pais não aprovam. A remoção do vegetal representa todo um contorno que é necessário ser feito pelos pais para que os gostos da criança se adaptem aos seus (Então eles usam a sua ‘psicologia própria’). A outra estufa, é qualquer outro meio, onde a criança tem contato com outras crianças, que receberam outra educação. E o vegetal morrer, representa a criança crescer de uma forma que não é aprovada pelos pais (os pais nesse caso, podem não ser necessariamente os pais, e sim professores, amigos, o Estado, ou seja, tudo que impõe alguma regra, algum limite para um ser humano.)
Os limites não nos deixam de fora de algo. Eles nos prendem dentro de algo. É necessário que se conheça os gostos de uma pessoa para lhe impor limites que serão respeitados futuramente por ela. Todos são únicos e diferentes. Logo, seus gostos pelas regras variam. Sua mentalidade também. E cabe não somente a eles reconhecer seus limites e espaço, quanto às pessoas ao seu redor também. O problema não reside somente nas ervas daninhas, e sim nas pessoas que as cultivam também.

Texto postado e escrito por João Claro (Johnny)